Corpo de líder indígena é exumado no Maranhão; Ele foi alvo de ameaças em janeiro

Sarapó Ka'apor tinha um histórico de combate e defesa dos territórios indígenas — Foto: Andrew Johnson

Sarapó Ka’apor tinha um histórico de combate e defesa dos territórios indígenas — Foto: Andrew Johnson

A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) solicitou e a Perícia Oficial realizou a exumação do corpo do líder indígena Sarapó Ka’apor, de 45 anos, que morreu em 14 de maio na região de Centro do Guilherme, cerca de 289 km de São Luís.

corpo de Sarapó foi exumado após uma suspeita de envenenamento. Entretanto, a morte do líder indígena chegou a ser atribuída a uma Acidente Vascular Cerebral (AVC), mesmo que ele não tenha passado por perícia.

De acordo com Arayan Henrique Pereira, defensor público, a família relatou que ele passou mal após ingerir um peixe. Horas após a refeição, ele veio a óbito.

“Foi relatado que foi dado a ele e sua família um peixe envenenado. E após o consumo desse peixe, ele passou muito mal e veio a óbito. A família tinha achado o gosto estranho e acabou não comendo, mas o líder indígena colocou muita pimenta, muitas especiarias e acabou digerindo o peixe. Nesse sentido, foi solicitado que fosse feito a exumação do corpo”, disse.

A Polícia Civil informou que vai aguardar o resultado dos exames periciais e segue recolhendo depoimentos. O delegado César Veloso disse que a pessoa que deu o peixe para o líder indígena já foi identificado e que no passado, os dois teriam tido desavenças.

“Se foi por envenenamento e estiver ligado a um peixe que o índio teria se alimentado, já se sabe quem foi a pessoa que forneceu esse peixe. Vendo a questão que essa pessoa, atualmente, não tinha inimizade com ele, mas que já teve essa inimizade no passado”, disse o delegado.

Sarapó Ka’por vinha sendo alvo de ameaças por defender o território indígena que ocupava, que é o maior do Maranhão, de garimpeiros e madeireiros. Segundo Gilderlan Rodrigues, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o indígena foi ameaçado em janeiro.

“Em janeiro, ele já tinha sido ameaçado em Santa Luzia, na região, então, diante dessas questões o pessoal disse que é possível que ele tenha sido envenenado, diante dessas ameaças constantes. E que no território, a gente sabe que muitas pessoas não gostam dos indígenas, principalmente pelo trabalho que é feito no campo”.

G1MA

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