“Eu me viro porque eu sou manicure. Eu faço meus bicos em casa como manicure e estou aí em busca de alguma oportunidade na área de limpeza, qualquer coisa. Eu estou disposta a tudo. Eu quero um emprego porque as coisas estão difíceis. Eu tenho criança e hoje em dia a cesta básica está muito cara. Tu vai no comércio um dia está um valor e no outro dia tu vai e já está outro”, revelou Jocileni Abreu.
Em casa, a única renda fixa é o do Auxílio Brasil, programa do Governo que paga R$ 400 para famílias em situação de extrema pobreza. Sem emprego formal, a Jocilene precisa driblar a inflação com a quantia que recebe.
Quase sempre, esse dinheiro acaba antes do final do mês. A lista de pessoas no Maranhão que estão na mesma situação que ela, dependendo só do Auxílio Brasil, é extensa. Cerca de 1.107,306 pessoas dependem do programa, enquanto nem metade desse número trabalha com carteira assinada.
Em 13 Estados do Brasil, o número de famílias que vivem do dinheiro do Auxílio Brasil é maior que o das que vivem da renda do trabalho formal, com vínculo na CLT. De acordo com o sociólogo Bruno Rogens, essa situação de desigualdade social e de dependência de benefícios estatais é resultado do modelo de desenvolvimento do país.
“Os impactos deste cenário para o Maranhão é a permanência de uma situação de vulnerabilidade social muito grande, de dependência da sociedade em relação a benefícios estatais, a benefícios de programas assistenciais. Isso coloca uma situação de fragilidade muito grande da sociedade e que tem, inclusive, consequências econômicas e políticas” conclui Bruno.