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UFG desenvolve teste rápido e barato para detectar varíola dos macacos, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
A testagem para casos de varíola dos macacos ainda não ocorre de forma ampla no Brasil, um reflexo do avanço da doença e de como os setores público e privado de saúde se mobilizaram contra o vírus monkeypox, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
Embora disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), há gargalos na testagem que vão desde o tempo necessário para desenvolver testes específicos para serem comercializados e que passam até mesmo pela dificuldade em obter reagentes que possibilitariam capacitar mais centros de testagem.
“O diagnóstico hoje é um grande gargalo – ter poucos lugares que fazem, demorar tempo entre a coleta do material e a resposta do diagnóstico para o profissional de saúde, do profissional de saúde para o paciente, isso é ruim”, avalia a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Ao todo, desde o começo do atual surto, 6.986 exames diagnósticos para a doença foram processados nos laboratórios públicos do país. O governo não tem um consolidado dos testes realizados na iniciativa privada, mas os representantes chegam a estimar que foram responsáveis por 60% dos testes já feitos no país.
Para confirmar a doença, o SUS tem oito laboratórios de referência que analisam as amostras coletadas em todo o país. A testagem é restrita e o resultado pode demorar dias para chegar. A virologista Clarissa Damaso, da UFRJ, aponta que a ampliação dos centros de referência deve ser gradual no país para evitar desperdício de material usado nas análises.
“Do meu ponto de vista, tem que ser uma dinâmica: à medida que você tem regiões com mais aumentando número de casos, aquela região poderia ser fortalecida com mais laboratórios fazendo análise”, comenta a virologista. Ela citou o exemplo recente da mudança no envio das amostras coletadas no Centro-Oeste para Brasília, antes elas seguiam para o Rio. A mudança ocorreu por aumento da demanda e por facilidade logística, segundo Damaso.
A virologista explica que, no atual cenário de recursos escassos na indústria farmacêutica, é prudente ampliar os centros sem desperdiçar material. “A gente tem uma dificuldade dos reagentes. As empresas que fornecem esses reagentes estão pedindo 20 a 30 dias úteis para entregar. Isso é um tempo extremamente longo. Sem reagente a gente também não faz nada”, explica a virologista.
O atual panorama da testagem contra o vírus monkeypox no país é marcado também por uma participação significativa da rede privada, cujas empresas desenvolveram seus próprios métodos para dar conta da demanda: o setor avalia ter sido responsável por mais da metade dos testes já feitos no Brasil, mesmo sem que os planos de saúde sejam obrigados a custear os exames que podem chegar a custar R$ 450.
Enquanto a rede de referência do governo cresce impulsionada pelo aumento da demanda, há a expectativa de que, nas próximas semanas, a Anvisa libere a comercialização de testes de varíola dos macacos desenvolvidos por empresas privadas, facilitando o acesso e provocando uma eventual diminuição dos preços.
Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico para a varíola dos macacos é feito exclusivamente por um teste do tipo PCR. O exame avalia o material genético coletado nas amostras das lesões por técnica de biologia molecular, com grau de sensibilidade superior a 95%.
