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Obra de arte de Ruth Machado é furtada da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Barreirinhas — Foto: Divulgação
Uma obra de arte foi furtada, na madrugada desse domingo (13), da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Igreja Matriz, em Barreirinhas, a 252 km de São Luís.
A obra, intitulada de ‘O Batismo’, é uma pintura em óleo da artista plástica Ruth Machado, da Academia Brasileira de Belas Artes, datada de 1922.
“Na madrugada de domingo, quando o sacristão chegou e abriu a igreja para a primeira missa, por volta das 6 horas da manhã, ele abriu a igreja e encontrou a parte de uma janela lateral arrombada e olhou para o lado e já viu que o quadro não estava. Depois viu que a porta da frente estava aberta e foi me comunicar, me avisou e eu estive no local. Eu acredito que tenha sido (o furto) entre 3h e 4h da manhã, por aí”, explicou o pároco da igreja, Ribamar Xavier, em entrevista à rádio Mirante AM.
Ainda de acordo com o pároco, os criminosos deixaram a moldura e levaram só a tela. Nada mais da igreja foi levado. Ribamar Xavier afirma que a obra é valiosa, mas não soube precisar o valor exato da tela.
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Obra de arte de Ruth Machado é furtada da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Barreirinhas — Foto: Divulgação
“Logo que eu cheguei na cidade, fiquei sabendo do valor dessa obra pra igreja. Me disseram que o Iphan tinha feito até uma visita à igreja e analisado a obra. Mas, estou há 5 anos em Barreirinhas, e nunca encontrei nada escrito sobre a obra”, disse o pároco.
A Polícia Civil do Maranhão, por meio da 20ª Delegacia Regional de Barreirinhas, foi informada do furto da tela e está investigando o crime. A igreja está, temporariamente, fechada, para poder ser periciada por uma equipe do Instituto de Criminalística (ICRIM) de São Luís, ainda esta semana.
Segundo o pároco, essa é a segunda vez, em pouco menos de três meses, que a Paróquia Nossa Senhora da Conceição é alvo de criminosos. A primeira vez foi no dia 29 de setembro, quando homens armados e usando máscaras faciais, se aproveitaram do fato de a porta da casa paroquial estar aberta. Eles entraram no local no início da madrugada, renderam um padre da paróquia, uma secretária e um bispo.
Segundo as vítimas, os homens ficaram procurando pela chave da igreja e, como não conseguiram, foram embora levando apenas dois celulares de duas vítimas.
Ainda não há informações se o assalto tem alguma relação com o furto da tela.
Obra de valor
A obra, que é uma pintura a óleo, foi feita em 1922 e retrata o batismo de Jesus Cristo em tamanho natural.
Segundo a historiadora Kátia Bogéa, que é ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, atualmente, presidente da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico de São Luís, há alguns anos o Iphan fez o inventário ‘Via Sacra no Maranhão’, inventariando bens de valor histórico e artístico de igrejas em 45 municípios. Na época, o inventário foi publicado e uma cópia foi entregue à Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), por causa do tráfico de obras de arte no país. Porém, a igreja de Barreirinhas não entrou nesse inventário.
No entanto, Kátia Bogéa afirma que a tela furtada tem grande importância, pois a pintora Ruth Machado Gomes pertenceu à Academia Brasileira de Belas Artes. E, no início do século XX, ocupou a cadeira livre número 13 da Academia, cujo patrono foi José Otávio Correia de Lima. Depois, a artista foi elevada na Academia Brasileira de Belas Artes à categoria de pintora honoris causa.
“Então, era uma pintora clássica e o quadro diz respeito ao batismo de Jesus Cristo, sendo uma obra clássica. Eu não poderia avaliar qual seria o valor real do quadro, mas, historicamente ele é importante para o Maranhão e para a pintura brasileira, porque era uma pintora que tinha relevância nacional, filha de um grande estadista, que foi o Francisco da Cunha Machado (político maranhense que foi deputado federal de 1904 a 1923 e senador pelo Maranhão entre 1923 a 1930), que nasceu ainda no século XIX e que foi muito importante tanto para o Maranhão quanto para o Brasil. Talvez as pessoas nem soubessem que essa obra de arte se encontrava em Barreirinhas. Como ela foi parar lá, quem levou, quem doou, é uma investigação que os historiadores podem fazer, rastrear essa obra de arte e saber o que aconteceu”, explicou a ex-presidente do Iphan, em entrevista à rádio Mirante AM.
A presidente da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico de São Luís também destaca que muitas obras de arte no Maranhão correm o risco de serem roubadas, porque não são protegidas. Além disso, tem o risco de degradação dos objetos artísticos pela falta de conhecimento do seu valor, pois muitas pessoas não sabem nem o valor daquela obra.
“Quando nós fizemos o inventário, todas as obras de arte estavam em estado de vulnerabilidade e também de degradação. Porque a gente pode perder essas obras de arte por esses dois fatores”, destacou a historiadora.
Kátia Bogéa afirma, ainda, que quando se trata de roubo de uma obra de arte, geralmente quem rouba é contratado por alguém que sabe o valor daquele objeto.
“O tráfico de obras de arte ele é encomendado. Então, um conhecedor, geralmente são historiadores de arte, pessoas que conhecem e se ligam ao mundo do crime, não é ele que vai roubar. Ele encomenda o roubo. Então, na verdade, quem roubou só está atravessando a obra de arte. A obra vai entrar no mercado ilegal, ela desaparece por um tempo e depois vai ser vendida até fora do país, é assim que funciona”, explicou a historiadora.
G1ma
