De acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas 40% da população brasileira com mais de 40 anos realiza atividade física. Ou seja, mais da metade da população, dentro dessa faixa etária, é sedentária.
Mas quando se pensa em atividade física, o que vem logo à sua mente? Uma imagem de uma academia, com vários aparelhos, esteiros e pesos? Um box de crossfit, uma quadra de beach tennis, um campo de futebol? Ou você também pensa na subida de lances de escada, faxina pesada e caminhadas? Será que tudo isso é exercício físico?
O professor de Educação Física e doutor em ciências da saúde, Victor Bastos, explica que há diferença entre exercício e atividade física. “O exercício físico é algo planejado, sistematizado e ele tem um objetivo claro. A atividade física é qualquer gasto calórico acima do basal. Então se a gente for descer uma escada, ou for andando para casa, está gastando mais do que estaria em uma situação basal de repouso. Qualquer atividade que eu gaste acima do meu repouso é atividade física. Sendo assim, todo exercício é uma atividade física, mas nem toda atividade física é exercício”, enfatiza o professor Victor Bastos.
Apesar de serem coisas diferentes, a atividade pode ser aliada do exercício, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza 150 minutos de atividade física, de moderada a vigorosa, por semana. Isso incluem as atividades laborais, atividades de locomoção e também atividades de lazer. Por isso, segundo o especialista Victor Bastos, subir escadas e andar a pé também são importantes e contam para uma boa saúde do corpo e da mente. “Entretanto, com o exercício físico, a pessoa consegue ter benefícios adicionais que a prática da atividade física por si só talvez não consiga. O bom do exercício é ‘perturbar’ o nosso organismo, por isso que o exercício no início ele é meio difícil. Porque ele quebra ali um equilíbrio que o nosso organismo busca”, diz Bastos.
O assunto foi tema do Episódio 06 do Videocast ‘Saúde em Foco’
Mas o professor chama a atenção também para o exagero na prática de exercícios. “Um mito muito grande que existe é que todo dia que eu treinar eu preciso me ‘estressar’ demais, naquela filosofia ‘no pain, no gain’, sem dor, sem ganho. Isso não é uma filosofia hoje, de fato, aplicável. A literatura científica mostra que você precisa ter momentos de treino intenso, em que você saia cansado, fadigado. E tem momentos que seu treino precisa ser mais tranquilo, mais suave. Então você trabalha como se fossem com ondulações, onde momentos eu tenho maior intensidade, e momentos eu tenho menor intensidade”, alerta.
Você sabe identificar os sinais que o corpo dá quando há “exagero no exercício físico”?
Segundo o especialista, há várias formas de identificar quando a pessoa está exagerando no exercício físico. “Se há sensação de cansaço constante, mesmo descansando sempre acorda cansado… ou aquela pessoa que sempre está mais irritadiça do que as outras. Pessoas que tendem a adoecer com facilidade, uma semana está doente, na outra está bem, na outra adoece novamente, e segue fazendo exercício porque acredita que vai melhorar a imunidade. Mas não entende que o exercício é ‘imunodepressor’, ou seja quando você está fazendo exercício, sua imunidade tende a diminuir um pouco”, exemplifica.
Mas afinal, existe um jeito de gostar de malhar?
Treino bom é o treino que a pessoa vai. A fala do professor e doutor em ciências da saúde vem para encorajar cada pessoa a se encontrar em um exercício físico, seja qual for a modalidade ou esporte. “A primeira coisa é iniciar, criar a rotina de praticar, mesmo muitas vezes não estando tão feliz em ir treinar, você tem que pensar no seu objetivo final. Precisa ter o tempo de adaptação e aí você vê o resultado do treinamento. Quando começa a ver que a ‘chatice’ do treino tem resultado, funciona, apesar de não gostar, vai treinar”, diz.
Portanto, o primeiro ponto é ter a consistência para ver o resultado. “Porque com o resultado, mesmo sem gostar, a pessoa vai para o treino. E para um iniciante, em três meses, visivelmente, já há resultados visíveis. Às vezes, antes, dependendo do treino, do objetivo, e de outros fatores”, finaliza Victor Bastos.
O professor foi um dos convidados para o Episódio 06 do Videocast “Saúde em Foco”, um projeto do Pajuçara Sistema de Comunicação (PSCOM) em parceria com o Centro Universitário Cesmac e o Laboratório Proclínico. Assista aqui ao Episódio 06.
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