A história do reggae em São Luís: do preconceito ao reconhecimento

A história do reggae em São Luís: do preconceito ao reconhecimento — Foto: Divulgação/Setur

A história do reggae em São Luís: do preconceito ao reconhecimento — Foto: Divulgação/Setur

Conhecida como a “Atenas Brasileira”, graças a relevância do seu grande número de escritores como Aluísio Azevedo, Nauro Machado e Graça Aranha, São Luís, que nesta quinta-feira (8) completa 410 anos de fundação, também se destaca como a capital que enalteceu o reggae como um símbolo cultural da cidade.

Criado na Jamaica no fim da década de 1960, o reggae se popularizou em São Luís na década de 1980. Segundo a especialista em Jornalismo Cultural e mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Karla Freire, naquela época o gênero ainda era visto com um grande preconceito social e racial, devido a sua força e identificação, principalmente, entre as camadas mais pobres da sociedade ludovicense.

“O reggae em São Luís surgiu e foi ganhando força primeiramente na periferia. Ele foi muito abraçado pela juventude negra das periferias de São Luís que identificaram aquele ritmo como um instrumento de lazer. Por conta disso sempre houve um preconceito social e racial contra o reggae”, analisa a jornalista Karla Freire.

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De acordo com a jornalista, outro fator que contribuiu para que o ritmo fosse marginalizado no início foi o fato de sua figura estar associada às páginas policiais. “Analisando reportagens de jornais impressos, a gente identifica que a maioria das notícias que apareciam sobre o reggae eram sempre relacionadas às notícias policiais. Era alguém que tinha sido morto, era uma batida policial. Dificilmente o reggae era visto com um local cultural”.

De acordo com a jornalista Karla Freire um fator que contribuiu para que o reggae fosse marginalizado no início foi o fato de sua figura estar associada às páginas policiais — Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

De acordo com a jornalista Karla Freire um fator que contribuiu para que o reggae fosse marginalizado no início foi o fato de sua figura estar associada às páginas policiais — Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Mas, apesar das contradições socioeconômicas, o reggae foi ganhando destaque, e espaços que antes eram visitados apenas por uma parcela da sociedade da capital foram tendo uma nova visibilidade.

A jornalista Karla Freire diz que a partir dos anos de 1990 a classe média começou a incorporar o ritmo jamaicano em seus locais de divertimento e novos espaços começaram a surgir diversificando, assim, o público em São Luís. “A partir dos anos 90 você vai vendo a classe média abraçar o reggae em espaços híbridos. O Espaço Aberto começa a ser frequentado por pessoas da universidade, por artistas locais. Então, essas pessoas vão começando a quebrar essa barreira social e, é, a partir disso que a gente vê que o reggae começa a se diversificar na ilha”.

Público pode apreciar o Roteiro Reggae e conhecer sobre o estilo musical de São Luís — Foto: Maurício Alexandre

Público pode apreciar o Roteiro Reggae e conhecer sobre o estilo musical de São Luís — Foto: Maurício Alexandre

Além disso, a adesão da classe média ao ritmo jamaicano colaborou para a transformação da figura do gênero musical frente aos meios de comunicação. Conforme a jornalista, no fim da década de 1990 e início dos anos 2000, as matérias jornalísticas começaram a focar na questão cultural, despertando o interesse das pessoas.

“No fim da década de 90 para o início do ano 2000 esse recorte vai mudando. A gente vai notando que as matérias jornalísticas elas vão se focando mais na questão cultural do reggae. Reportagens, inclusive, a nível nacional, começam a ser veiculadas e começam a mostrar a riqueza cultural do reggae”, ressalta Karla Freire.

A jornalista pontua que mesmo tendo sido criado na Jamaica, o reggae só se firmou em São Luís e conquistou reconhecimento graças a sua originalidade.

“Não se trata de uma cultura importada; se trata de uma cultura nossa. A gente ressignificou o reggae. Você vê mudanças irem acontecendo como o surgimento de bandas, os diferentes tipos de reggae. Então, você vai vendo modificação no reggae, mas você não vê esse movimento enfraquecer a ponto da gente dizer que o reggae está acabando em São Luís. O movimento do reggae em São Luís é muito genuíno e verdadeiro e, por isso, mesmo que hoje a gente reconhece São Luís como a ‘Jamaica Brasileira'”, finaliza Karla Freire.

G1ma

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