A uma semana de nova alta da Selic, investidores e BC estão alinhados

A uma semana do anúncio da nova decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), investidores estão devidamente alinhados aos apontamentos da autoridade monetária.

Ganha com folga a aposta em nova alta de 1 ponto percentual na quarta-feira (28) que vem, com a Selic indo a 13,25% ao ano. É o que mostra ferramenta Termômetro do Copom, do Valor Investe, com base em contratos de opções negociados na B3 até 20 de janeiro.

Esse alinhamento ao comunicado mais recente do BC foi paulatinamente crescendo nas últimas semanas. Em 19 de dezembro de 2024, investidores projetavam probabilidade de 53,9% de a Selic subir 1 ponto. No dia 20 de janeiro, a chance já havia saltado a 94,8%.

Por que os juros devem subir novamente?
Segundo analistas ouvidos pelo Valor Investe, a depreciação do real e da percepção fiscal e expectativas desancoradas devem influenciar a nova alta na Selic.
De acordo com a revisão de cenário do Itaú BBA, publicada na segunda (20), esse cenário indica “a necessidade de avançar ainda mais” em território contracionista — ou seja, um nível de juros que joga contra o crescimento da economia via consumo, com o objetivo de conter a inflação.

O banco elevou a projeção para a alta da taxa Selic de 15% cravados para 15,75% ao ano ao final do 1º semestre de 2025, e prevê a manutenção desse patamar até final do ano. Já para 2026, a projeção é de queda da taxa de juros para 13,75% ao ano, “diminuindo o nível de restrição ao longo do ano”.

Para o Itaú BBA, a política monetária mais restritiva deve impactar a economia com mais força a partir do segundo trimestre desse ano. “Por outro, a dinâmica do real e das expectativas de inflação serão cruciais para determinar o tamanho do ciclo. Caso haja nova rodada de depreciação da moeda e/ou deterioração adicional das expectativas, não é possível descartar uma extensão do ciclo e eventualmente, uma postergação dos cortes em 2026”, diz o relatório.

A UBS BB espera a mesma alta de 1 ponto. Alexandre de Ázara, economista-chefe do banco, explica que já houve uma comunicação “muito explícita” na ata e comunicado de dezembro de que esse seria o ritmo para a reunião de janeiro e também para a reunião de março, “a menos que tivesse ocorrido uma mudança significativa de cenário do que se esperava na reunião de dezembro”.

“Comunicações dadas por diretores e pelo presidente do BC sugerem que esse ritmo deve continuar. Com isso, mantivemos o call de alta de 100 para essa reunião. A deterioração da percepção fiscal e o câmbio mais depreciado justificam essa alta de 100 nessa reunião e o impacto que essas variáveis tiveram nas expectativas de inflação”, pontua Alexandre.

Valor Investe

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