Amor, dinheiro e poder: o que está por trás da decisão de mulheres de entrar para a criminalidade

Mulheres suspeitas de envolvimento com o crime no RJ  — Foto: Arte g1

Mulheres suspeitas de envolvimento com o crime no RJ — Foto: Arte g1

Nos últimos dias, mulheres foram presas no RJ suspeitas de envolvimento com algum tipo de crime. Entre elas, segundo a polícia, estão chefes do tráfico de drogastransportadoras de armamento pesado e até segurança de traficante (veja abaixo as recentes prisões).

Mas o que leva uma mulher a esse mundo? Especialistas afirmam que o amor, o dinheiro e o poder estão por trás da decisão de entrar para a criminalidade.

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o país tem 654.704 presos, dos quais 28.699 são mulheres. Esse percentual historicamente oscila entre 5% e 6%.

Tráfico como ‘retorno seguro’

Muitas mulheres escolhem o tráfico por acreditar em um retorno financeiro rápido sem precisar usar a violência. Outras entendem que vender drogas no varejo é uma opção de menor risco, ante roubar — mesmo grávidas ou com filhos pequenos. No entanto, em alguns dos casos, há quem ingresse na criminalidade por dificuldades financeiras ou por ser “vítima de um grande amor”.

Para o advogado criminalista Carlos André Viana, “historicamente as mulheres entravam no crime por conta da estrutura machista e patriarcal” e que “na grande maioria das vezes, muitas deles nem queriam estar ali na criminalidade”.

“Muitas mulheres acabavam se inserindo na criminalidade por conta de algum homem que as abrigavam. Seja ele companheiro, irmão, pai ou parente próximo. Historicamente, por conta de um homem, a mulher dava continuidade e seguia naquele espaço. Em alguns dos casos, ela era obrigada a participar de um ato ilícito em virtude daquele companheiro inserido no crime”, destacou.

“Mas, você vê, agora, numa escala, muitas mulheres entrando no mundo do crime em virtude de seus companheiros — por status ou por estarem em algum relacionamento. É obvio que quanto mais a sociedade avança, a gente vê mulheres ocupando espaços de poder, e isso não é diferente na criminalidade”, completou.

O delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), vê o mesmo padrão. Para ele, não existe diferença nas motivações para a entrada de mulheres e homens na criminalidade.

“A polícia às vezes negligencia a atuação de mulheres que têm tanto destaque quanto determinados homens. Na morte da Hello Kitty e do Vinte Anos, foi dado destaque a ela por ser mulher, e não por ser criminosa do mesmo patamar que ele. Em qualquer lugar, a mulher é mais minuciosa, atenta, calma. Tem um tato para gerenciamento. O homem é mais impetuoso, violento. Não que não haja mulheres assim, como a Sandra Sapatão e a Hello Kitty, que participava inclusive de disputas por território”, destacou.

A Bibi Perigosa potiguar

Andreza Cristina Lima Leitão, conhecida como Bibi Perigosa — Foto: Reprodução

Andreza Cristina Lima Leitão, conhecida como Bibi Perigosa — Foto: Reprodução

Andreza Cristina Lima Leitão, a Bibi Perigosa ou Andreza Patroa, é apontada como chefe da facção criminosa potiguar Sindicato do RN, herdada do marido, a quem tentou salvar de uma execução.

Bibi foi presa no último domingo (2) ao sair de um shopping na Zona Oeste do Rio.

Na madrugada de 10 de setembro de 2016, Andreza e o marido, Elinaldo César da Silva, o Sardinha, foram atacados a tiros na saída de uma boate em Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal. Segundo a polícia potiguar, Andreza chegou a se jogar na frente de Elinaldo para protegê-lo. A tentativa de salvá-lo foi em vão. Bibi foi atingida na perna, e o marido, executado, morreu na hora. Mesmo com o ferimento, Andreza recusou atendimento médico e foi embora do hospital.

Em 24 de janeiro de 2018, Andreza — já condenada a 10 anos de prisão por tráfico de drogas e organização criminosa — foi presa no bairro Ponta Negra, em Natal, após uma denúncia anônima. No fim de 2018, Bibi progrediu para o semiaberto, mas não mais compareceu em juízo e sumiu do mapa.

Ela estava refugiada no RJ havia quase três anos, com o nome falso de Rafaela de Freitas Carvalho. Segundo as investigações, Andreza ordenou daqui do Rio a sequência de ataques em seu estado de origem. A onda de atentados começou no dia 14 e só terminou no dia 25. Andreza nega as acusações.

Os fuzis de Gabi

Gabriela de Oliveira de Souza — Foto: Reprodução

Gabriela de Oliveira de Souza — Foto: Reprodução

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *