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Julimar Alves da Silva Filho é ex-gerente da 8ª Superintendência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), no Maranhão. — Foto: Divulgação/Redes sociais
Após o ex-gerente da 8ª Superintendência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Maranhão ser afastado das suas atividades, por suspeita de desvios de recursos públicos federais, a defesa dele se manifestou negando a participação do servidor em desvio de verbas.
Ao g1, o advogado Marcio Almeida, que representa o ex-gerente afastado, identificado como Julimar Alves da Silva Filho, disse que o caso ainda está em fase de investigação, através de inquérito policial, e ainda não há denúncia por parte do Ministério Público Federal (MPF). E, se houver denúncia, será provada a inocência de Julimar Alves, que “não tem qualquer tipo de participação nestes atos”.
O afastamento do ex-gerente foi feito no dia 29 de setembro, após a Polícia Federal identificar que o servidor público, que é engenheiro, recebeu cerca de R$ 250 mil da Construservice, empresa envolvida em um esquema de desvios de recursos públicos da Codevasf no Maranhão.
O servidor foi alvo da segunda fase da Operação Odoacro, que visa desarticular o núcleo de uma suposta organização criminosa composta por servidores públicos, que estariam fraudando licitações e desviando verbas federais da Codevasf.
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Codevasf no Maranhão é alvo de operação da Polícia Federal (PF) — Foto: Divulgação/Polícia Federal
Durante as investigações, a Polícia Federal concluiu que, dificilmente um esquema dessa magnitude poderia existir sem a participação, ou, no mínimo, o conhecimento de funcionários públicos. Por meio de análises bancárias, a polícia identificou que Julimar Alves poderia ter envolvimento no esquema criminoso, que seria liderado por Eduardo José Barros Costa, o “Eduardo DP” ou “Imperador”, que é investigado por fraudes licitatórias e desvio de verbas públicas federais, envolvendo contratos com a Codevasf e empresas de fachada, em municípios maranhenses.
No decorrer das investigações, a PF identificou que Julimar Alves recebeu R$ 249.549,96 da empresa Construservice, que é a principal empresa envolvida no suposto esquema criminoso e tem Eduardo Imperador como sócio oculto.
A Construservice é uma empresa estatal controlada pelo Centrão, grupo de partidos que atualmente dá sustentação ao governo Bolsonaro, e tem sido investigada por desvios de recursos em supostas fraudes em licitações, mas afirmou que está colaborando com o trabalho da Justiça.
Dos quase R$ 250 mil pagos pela Construservice a Julimar, R$ 204.504.96 foram recebidos de forma direta e R$ 45 mil foram recebidos de forma indireta, sendo transferidos para uma conta bancária da mulher de Julimar, a engenheira civil Jéssica Bezerra Serra, segundo a PF.
A partir da transferência desse recurso, a Polícia Federal solicitou à Justiça o afastamento do gerente da Codevasf no Maranhão.
A PF alegou no pedido para afastar da função pública Julimar Alves, que a sua relação ilícita com a Construservice (e demais empresas do grupo criminoso) ocasionou e pode continuar ocasionando prejuízos vultosos ao Poder Público.
Além do afastamento do servidor, a PF pediu à Justiça a interceptação telefônica dele, a constrição de bens, no valor de R$ 249.549,96, e a realização de busca e apreensão em dois endereços ligados ao servidor, em São Luís.
Os pedidos foram acatados pela Justiça Federal, por meio da 1ª Vara Federal Criminal do Maranhão, e cumpridos no dia 29 de setembro. O resultado da operação só foi divulgado pela PF nesta quarta-feira (5).
Na decisão que autorizou a operação, o juiz federal Luiz Regis Bomfim Filho afirmou que ” o conjunto de apurações decorrentes das investigações até então empreendidas revela, como já dito, sérios indícios de contexto delitivo no âmbito da 8ª Superintendência da empresa CODEVASF”.
De acordo com a Polícia Federal, se confirmadas as suspeitas, Julimar Alves da Silva Filho poderá responder por corrupção passiva (Art. 317, CP) e associação criminosa (Art. 288, CP). Somadas, as penas podem chegar a 15 anos de prisão.

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