Astronautas da Crew-10 chegam para missão que viabilizará retorno de colegas ‘presos no espaço’

Os quatro astronautas da Crew-10 chegaram na tarde desta sexta-feira (7) à base de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA).

Eles desembarcaram por volta das 17h (horário de Brasília) a bordo de um jato da Nasa, dando início à fase final dos preparativos para a missão que os levará à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Enquanto a equipe se acomoda e participa dos últimos treinamentos, a cápsula Dragon Endurance, da SpaceX, também já está posicionada na plataforma de lançamento. O veículo chegou ao local nesta sexta-feira e passa agora pelos ajustes finais antes da decolagem.

Além de levar a nova tripulação à ISS, a missão também permitirá o retorno de astronautas que estão “presos no espaço” (entenda mais abaixo).

A nova tripulação é liderada pela astronauta norte-americana Anne McClain e tem Nichole Ayers, também dos EUA, como piloto. Os especialistas da missão são o astronauta japonês Takuya Onishi e o cosmonauta russo Kirill Peskov.

A Crew-10 decolará no próximo dia 12 de março para uma estadia de aproximadamente seis meses na estação espacial. Sua chegada marcará o início da contagem regressiva para o retorno da Crew-9, que inclui Suni Williams e Butch Wilmore, astronautas que estão no espaço desde junho de 2024.

Williams e Wilmore originalmente viajaram ao espaço na primeira missão tripulada da nave Starliner da Boeing, que deveria durar apenas dez dias. No entanto, após problemas técnicos na espaçonave, a Nasa decidiu que a Starliner retornaria vazia à Terra, por precaução, deixando os astronautas na estação.

Esta decisão resultou na integração dos dois astronautas à missão Crew-9, que chegou à ISS meses depois, em setembro, com Nick Hague e o cosmonauta Aleksandr Gorbunov. A Crew-9 decolou com dois assentos vazios na Dragon Freedom, especificamente destinados a Williams e Wilmore para a viagem de retorno.

Os astronautas da Crew-10. — Foto: NASA/Bill Stafford/Helen Arase Vargas
Os astronautas da Crew-10. — Foto: NASA/Bill Stafford/Helen Arase Vargas

A Freedom, que está acoplada à ISS desde setembro, será o veículo que efetivamente trará de volta os quatro membros da Crew-9, incluindo os astronautas da Starliner, aproximadamente uma semana após a chegada da Crew-10.

Este período de sobreposição é padrão nas operações da estação espacial, garantindo uma transição suave das responsabilidades entre as equipes.

Inicialmente, a SpaceX planejava construir uma nova cápsula Dragon para a missão Crew-10, com lançamento previsto para fevereiro.

Contudo, atrasos na fabricação, possivelmente combinados com pressão política – evidenciada em publicações do presidente Donald Trump e do CEO da SpaceX, Elon Musk, sobre os astronautas “retidos” no espaço – levaram a Nasa a reatribuir a missão para uma Dragon que pudesse estar pronta para voar mais cedo.

A saga da dupla
Os astronautas deveriam ter retornado em junho de 2024 na cápsula Starliner da Boeing, após uma missão de demonstração prevista para uma semana.

Contudo, devido a dificuldades para acoplar à lSS, a Nasa decidiu retornar a cápsula vazia e reposicionar os astronautas para uma missão com a SpaceX neste ano.

Mas a SpaceX também enfrentou atrasos. O lançamento da nova cápsula que viabilizaria o retorno de Butch e Suni, preparada para substituir a anterior, teve que ser adiado devido a ajustes técnicos, o que prolongou ainda mais a missão dos dois.

Com isso, devido a esses atrasos na produção da cápsula da SpaceX, a equipe de gerenciamento da missão decidiu usar uma cápsula Dragon Endurance, utilizada previamente em diversas missões à ISS.

Assim, o lançamento, que estava previsto para 25 de março, foi antecipado para 12 de março, embora a data de retorno dos astronautas “presos” ainda dependa de ajustes.

Histórico do problema
Butch Wilmore e Suni Williams decolaram no início de junho de 2024 a bordo da Starliner e, desde então, estão na ISS.

A cápsula deveria trazê-los de volta à Terra oito dias depois, mas problemas detectados em seu sistema de propulsão levaram a Nasa a questionar sua confiabilidade.

A principal preocupação era que a Starliner não conseguisse alcançar o impulso necessário para sair da órbita e iniciar sua descida à Terra.

Com isso, uma missão regular da SpaceX, chamada Crew-9, decolaria no final de setembro, mas com apenas dois astronautas a bordo, em vez de quatro.

Ela permaneceria acoplada à ISS até o seu retorno planejado à Terra em fevereiro. Portanto, traria de volta os dois astronautas que viajaram Boeing, além dos dois tripulantes da Crew-9.

Contudo, em setembro, a Nasa optou pelo retorno da Starliner sem tripulação para a Terra.

Assim, a decisão da volta pela SpaceX foi tomada pela Nasa e discutida com a Boeing.

A escolha da Nasa pela SpaceX para trazer os astronautas de volta é uma das mais importantes nos últimos anos.

Há dez anos, a Nasa encomendou uma nova cápsula à Boeing e outra à SpaceX para transportar seus astronautas até à ISS. Com dois veículos disponíveis, haveria uma solução viável em caso de problemas em um deles, mas a empresa do magnata Elon Musk prevaleceu sobre a Boeing.

G1

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