Dólar cai a R$ 5,10 e Ibovespa firme com IPCA menor e petróleo comportado

O dólar recuou nesta sexta-feira, cotado a R$ 5,10, e o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, subiu mais de 2% em dia influenciado positivamente pela divulgação da inflação oficial no Brasil para o mês de junho, que desacelerou ante maio, no ambiente doméstico, e pela estabilização do preço do petróleo, no exterior.

O que aconteceu
Dólar fechou semana em baixa. Passando a maior parte do dia perto da estabilidade, a moeda americana terminou o dia cotada no comercial para a venda a R$ 5,108, variação de menos 0,28% ante fechamento de ontem.

Ibovespa teve pregão positivo. O Ibovespa, principal índice de ações do país, avançou 2,97%, atingindo 177.866 pontos, no maior patamar desde 25 de maio.

Preço do petróleo acomodou no exterior após máximas ao longo da semana. Por volta das 15h, o contrato do barril do tipo Brent com vencimento em setembro cedia 0,7%, a US$ 75,78.

Tráfego de petroleiros em Hormuz foi afetado após ataques. Interrupção trava normalização pela rota na costa iraniana por onde passavam 20% do fornecimento diário do petróleo no mundo. Após o acordo de paz, movimentação havia subido para 40 navios, ainda assim, abaixo da média diária anterior ao conflito, de 125 a 150 passagens. Apesar da incerteza, sinalizações de membros do governo americano de que a via diplomática segue sendo usada serve para aliviar as tensões nos mercados de commodities.

Inflação oficial do Brasil influenciou positivamente negócios locais. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechou junho com variação de 0,16%, ante 0,58%, em maio, e 0,24% em junho de 2025. No acumulado em 12 meses, o índice passou a ter alta de 4,64%. É uma variação inferior à apurada até maio, de 4,72%, embora siga acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que é de 4,5% ao ano.

“O principal destaque positivo veio da alimentação. O grupo de alimentação no domicílio recuou 13 pontos percentuais, enquanto os itens in natura caíram sete pontos percentuais, mostrando uma clara melhora no comportamento desse componente da inflação. Os núcleos também surpreenderam para baixo, e o índice qualitativo, de forma geral, veio bem melhor do que se esperava.
Paula Gala, professor de Economia da FGV-SP

Indicador de preços animou apostas em cortes de juros no Brasil. Para analistas de mercado, a desaceleração do IPCA em junho e no acumulado em 12 meses abre espaço para que o Banco Central mantenha o ciclo de afrouxamento monetário, após as últimas reduções da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano.

Por ora, o processo inflacionário dá sinais de que o aperto monetário empreendido nos últimos anos tem surtido efeito, o que, na nossa visão, permitiria o Copom a continuar o atual ciclo de calibração. Projetamos cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões restantes desse ano, levando a Selic a 13,25% em dezembro de 2026” André Valério, economista sênior do Inter

“O IPCA de junho traz leitura positiva, mostrando alívios na inflação, trazendo conforto para o Banco Central e para uma perspectiva de corte, para o mês de agosto, novamente, de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
Gustavo Danilo Guimarães, especialista de renda fixa da Manchester Investimentos

Inflação abaixo do esperado alimentou alta das ações na Bolsa. Preços mais comportados podem levar o Banco Central a cortar juros. Nesse ambiente, as empresas gastam menos com dívidas, ganham fôlego para fazer novos investimentos, enquanto no lado do consumo, as famílias podem ter acesso a crédito e financiamento. Ainda que esse cenário ainda esteja trimestres a frente, analistas apontam que uma perspectiva mais otimista abre espaço para que aplicadores busquem recompor posições na Bolsa, em especial em ações que estão mais descontadas.

“Em teoria, a percepção de que o Banco Central terá mais espaço para reduzir os juros tende a pressionar para baixo os rendimentos dos títulos públicos, como já se observa na curva de juros.
Leonardo Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da Stonex

Bolsa brasileira também foi influenciada positivamente por oferta pública da SK Hynix nos Estados Unidos. Segundo analistas, a venda de ações da fabricante sul-coreana de chips no volume de US$ 26,5 bilhões sinaliza que o apetite dos investidores por ativos de tecnologia permanece forte, reduzindo a percepção de risco em um setor que concentra parcela relevante dos fluxos globais de capital.

“O mercado reagiu principalmente à combinação de vários fatores. No Brasil, o IPCA de junho abaixo das expectativas reduz percepção de pressão inflacionária no curto prazo e reforça possibilidade de continuidade do cortes de juros, o que favorece ativos domésticos, especialmente os setores mais sensíveis à curva de juros. No cenário externo, a acomodação do preço do petróleo e a oferta da SK Hynix nos Estados Unidos reduz percepção de risco em um setor que concentra parcela relevante dos fluxos globais de capital.
Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Novos Negócios da Pilar Capital

Ações do varejo e de bancos sobem na Bolsa. Em tese, o cenário de juros em queda abre espaço para que as varejistas consigam vender mais por meio de crediário mais em conta, ao mesmo tempo em que abre espaço para a maior demanda por crédito do setor financeiro, apontam analistas. Entre os destaques positivos do dia, os papéis da Magazine Luiza e da Casas Bahia avançavam mais de 7%. Também entre as maiores valorizações do pregão nesta sexta-feira aparecem os líderes do setor financeiro Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil, com variações de até 4%

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