
Um estudo inédito publicado pela American Psychological Association (APA) revela uma face pouco explorada da psicologia no Brasil: a espiritualidade dos profissionais. Segundo o levantamento, realizado com 4.300 psicólogos, 91% dos profissionais brasileiros acreditam em Deus. A pesquisa, liderada por Pedrita Reis Vargas, da UFJF, é considerada a maior já feita no mundo sobre o tema e mostra que a religiosidade está longe de ser um tabu na vida pessoal da categoria.
Os dados impressionam pela diversidade de crenças: enquanto 39% dos entrevistados acreditam em reencarnação, outros 20% descartam a existência de vida após a morte. A prática religiosa também é rotina para a maioria, com 54% dos psicólogos afirmando que oram ou meditam diariamente. Essa conexão com o sagrado reflete diretamente na visão clínica, já que 65% dos profissionais consideram que a espiritualidade é um fator relevante para o tratamento dos pacientes, segundo publicação do site Comunhão
A pesquisa aponta, no entanto, que o nível de escolaridade influencia a percepção sobre o tema. Psicólogos com mestrado ou doutorado tendem a ser mais céticos, enfatizando possíveis efeitos negativos da religião na saúde mental. Para os pesquisadores, a formação acadêmica rigorosa estimula uma postura mais crítica. Ainda assim, 62% do grupo geral acredita que a fé exerce um impacto benéfico no bem-estar psíquico e 68% desejam mais treinamento para lidar com questões espirituais no consultório.
O estudo conclui que integrar a espiritualidade à prática não significa misturar religião com ciência, mas sim respeitar a subjetividade do paciente. Para os especialistas, ignorar a busca por sentido e transcendência é fechar os olhos para uma dimensão fundamental da experiência humana que já está presente nos atendimentos. O desafio agora é preparar os profissionais para que essa bagagem pessoal dialogue com a ética, garantindo um tratamento completo e respeitoso.
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