Não bastasse, as empresas envolvidas no golpe prometiam rentabilidade após investimentos em criptomoedas. No último ano, contudo, o mercado cripto tem sofrido com a subida das taxas de juros ao redor do mundo, que aumenta a aversão a risco entre investidores e prejudica os ativos mais arrojados — o que é o caso. (veja mais abaixo)
A principal criptomoeda em circulação, o Bitcoin, teve rentabilidade negativa de 44,86% nos últimos 12 meses. Mesmo o HASH11, principal ETF de criptomoedas do Brasil e que simula a performance do mercado de cripto, caiu 43,16% no último ano. É um cenário de duplo prejuízo: uma empresa promete pagar 5% ao mês aos investidores, enquanto aplica em ativos que colhem prejuízos.
Por que o mercado de renda variável está em alerta
Parte da explicação para esse mau momento dos ativos de renda variável é o reflexo do sentimento de aversão ao risco que tomou os mercados nos últimos anos. Ele é fruto principalmente da crise econômica decorrente das medidas restritivas da Covid-19 e foi intensificado com a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Esse cenário se refletiu na subida de juros nas principais economias do mundo, principalmente dos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed) fez sucessivos aumentos ao longo de 2022 e a taxa de juros americana passou de 0,25% ao ano em janeiro de 2022 para o intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano em dezembro.
Juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de se investir na segura renda fixa norte-americana, o que tende a aumentar o ingresso de recursos na maior economia do mundo e tirar dinheiro de ativos de maior risco.
As cotações das moedas digitais têm por natureza uma variação muito intensa. E, além disso, também acompanham essa movimentação do mercado — e a queda de ativos de maior risco.