
Vídeos gravados após a prisão de uma mulher trans suspeita de tentativa de homicídio em Bacabal, no Maranhão, viralizaram nas redes sociais após ela confessar o ataque, afirmar que não se arrepende do crime e fazer novas ameaças contra as vítimas. As declarações foram utilizadas pela Justiça para fundamentar a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
Nas entrevistas, Maria Clara afirmou que atacou um homem com golpes de facão após ele e a companheira, segundo ela, ameaçarem e agredirem sua mãe. Em uma das gravações, declarou que não se arrepende da ação e disse que pretende matar o casal caso deixe a prisão.
Os vídeos foram gravados após a prisão e não mostram o momento da agressão. Em outra gravação, a suspeita também afirmou que era responsável por um ponto de venda de drogas, além de alegar que as vítimas teriam denunciado a atividade à polícia.
O caso aconteceu em um imóvel conhecido como prédio da antiga Coca-Cola, no Centro de Bacabal. Segundo a investigação, a confusão começou após Yasmin de Sousa Pereira atingir Antônia de Souza, mãe de Maria Clara, com um pedaço de madeira. Em seguida, a suspeita teria avançado contra Yasmin com um facão.
(Imagens: Reprodução/Instagram/Romarinho)
Ao tentar defender a companheira, José Ferreira da Silva Neto passou a ser o alvo dos golpes. Ele sofreu cortes profundos no antebraço direito e na mão esquerda, além de lesão em um tendão e perda de tecido. A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital Regional Laura Vasconcelos, onde passou por cirurgia de emergência. O estado de saúde não foi informado.
De acordo com a Polícia Militar, um drone do 15º Batalhão que sobrevoava a região durante um evento registrou a briga. Após a identificação da ocorrência, equipes foram deslocadas ao local e encontraram Antônia de Souza ferida na cabeça. Maria Clara foi presa em flagrante, e o facão utilizado no ataque foi apreendido.
Durante uma das entrevistas concedidas na chegada à delegacia, a suspeita confirmou que havia sido presa por tentativa de homicídio, voltou a justificar o ataque e reiterou que pretende matar o casal. Ela também declarou que era responsável pela venda de drogas, afirmando que sua mãe não tinha envolvimento com a atividade.
As declarações repercutiram rapidamente nas redes sociais e passaram a circular em perfis nacionais. Os vídeos também foram anexados ao processo e citados pela Justiça como um dos principais fundamentos para manter a prisão da investigada.
A prisão em flagrante, realizada no sábado (25), foi convertida em prisão preventiva na segunda-feira (27). Na decisão, o juiz João Bruno Farias Madeira destacou que as ameaças registradas nos vídeos demonstram risco concreto à integridade física de José Ferreira e Yasmin, caso a investigada fosse colocada em liberdade.
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) pediu a conversão da prisão em preventiva. A defesa solicitou o relaxamento da prisão ou, alternativamente, a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares, pedidos que foram negados.
Segundo a decisão judicial, Maria Clara possui duas condenações anteriores e responde a outra ação penal em andamento. Para o magistrado, medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes para proteger as vítimas e garantir a ordem pública.
Maria Clara permanece presa preventivamente. A Polícia Civil do Maranhão continua investigando as circunstâncias do ataque e deverá concluir o inquérito antes de encaminhar o caso ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA).
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