Musa do OnlyFans diz que quase morreu com remédio para cavalo

Usar suplementos vitamínicos para melhorar o desempenho atlético, bem como aumentar a resistência, a energia e o foco durante o treino faz parte da rotina de muitos praticantes de exercícios. O acompanhamento médico é fundamental para identificar os suplementos adequados.
No entanto, é comum achar relatos de pessoas que buscam recomendações na internet e encontram produtos como o Potenay, que é usado equivocadamente como pré-treino. Ele não é anabolizante, nem hormônio, mas sim um estimulante fabricado para animais. O uso indevido por humanos pode causar alucinações, agressividade, arritmia, agravar depressão e outros efeitos colaterais.
Foi o que aconteceu com a influenciadora Suzy Cortez, de 32 anos. Em relato ao UOL, a ex-Miss Bumbum diz que começou a tomar o medicamento como pré-treino após ler uma publicidade na internet que o vendia equivocadamente como “o mais forte do mundo”. Sem consultar um médico e saber que era para animais, decidiu utilizá-lo para voltar a treinar, prática que havia abandonado devido a um quadro de depressão.

Após perder o Instagram em novembro de 2020, Suzy disse que levou cerca de seis meses para buscar apoio psicológico e iniciar um tratamento contra seu quadro. Após iniciá-lo e melhorar sua saúde mental, conseguiu voltar aos treinos, conheceu o Potenay por meio de um anúncio que a levava para o site do Mercado Livre e começou a usá-lo em julho de 2021.

“Tive depressão com o hackeamento porque sou uma influencer e tinha vários patrocínios pelo Instagram. Só ficava na cama e chorava. Então, procurei um psiquiatra, que passou remédio para depressão. Esse remédio salvou a minha vida e eu voltei a ter ânimo para começar a treinar. Foi aí, então, que conheci o Potenay. Cliquei em um link que me levou para o Mercado Livre e comprei porque era muito barato. Uma caixa vem dez frascos de 10 mL”, diz.

Segundo Daniel Pinto, pesquisador e doutor em Ciências Médicas pela UFC (Universidade Federal do Ceará), levantamentos médicos mostram que existem desordens psiquiátricas relacionadas a esse medicamento, como perda de contato com a realidade, mania de perseguição, vozes da própria cabeça. Potenay é o nome de um medicamento composto por um mix de vitaminas e uma metanfetamina. A indicação veterinária é para aumentar o tônus muscular e estimular o sistema circulatório em bovinos e equinos que possuem quadros de déficit vitamínico e sistema imunológico debilitado.

O pesquisador destaca que o uso do Potenay como pré-treino pode causar dependência e agravar depressão devido ao “efeito de rebote”, pois quando a pessoa injeta o medicamento, ela tem uma alta descarga de neurotransmissores, levando o desgaste deles. “Depois do nível subir pela primeira vez, vai descer até o nível basal. Na segunda vez, você já desgastou parte dos seus neurotransmissores, vai descer mais. E depois, mais. Você vai diminuir a biodisponibilidade de neurotransmissores, vai entrar no processo de dependência e vai querer cada vez mais. É um vicio”, afirma..

Suzy Cortez relata ter passado por isso durante os oito meses os quais usou o produto. “Injetava o remédio antes de ir a qualquer lugar. Até para levantar da cama, eu precisava dele. Minha perna ficou toda marcada porque aplicava direto”, desabafou.

Suzy relata ter injetado 100 mL em um único dia, o que já seria considerado uma superdosagem para animais, pois a bula do medicamento recomenda de 1 a 2 mL para cada 25 kg de peso, de 1 a 5 dias, para tratamento em bovinos. A influenciadora conta que parou de injetá-lo em maio deste ano após “chegar ao fundo do poço”. Cheguei a me cortar, a bater com a cabeça na parede. Tive crises existenciais. Cheguei ao fundo do poço”.

“Parei de usar quando percebi que ia tomar para dormir, então, decidi pesquisar sobre e fiquei chocada. Joguei mais de 40 potes, agulhas e as seringas lixo. Hoje, tenho noção de que tudo que passei foi por conta do remédio e estou fazendo diversos exames para saber se está tudo bem. Quis dar o meu relato, porque é um produto vendido como pré-treino e é fácil de ser encontrado. Se estou viva hoje, é por causa de Deus,” finaliza Suzy.

Meio Norte

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