
O ator Marcius Melhem, ex-diretor de humor da TV Globo acusado de assédio, se pronunciou na tarde desta quarta-feira (09), por meio de um vídeo publicado no seu perfil no Instagram. Ontem, ele se tornou réu por assédio sexual contra três vítimas após acolhimento do caso pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), confirmado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
No vídeo, gravado originalmente em maio de 2023, o humorista reclama da morosidade do caso e diz que as supostas vítimas estão “manipulando juridicamente” o caso. Ele afirmou ainda que não será condenado e que o processo movido contra ele está cheio de “mentiras”. Ele reclama que o caso está atrasado nove meses.
“Nesse caso, a morosidade da Justiça é uma morosidade provocada por elas [supostas vítimas]. Acho importante fazer esse discurso aqui, porque ele virá: quando eu não for condenado, vai vir o discurso de que a Justiça é lenta, de que eu escapei por uma manobra jurídica. Elas manobram juridicamente esse caso para que o caso se prolongue”, diz na gravação.
“Esse caso estava para conclusão no Ministério Público em 31 de agosto de 2022. O que elas pedem? Para que volte para a delegacia para ouvir duas testemunhas. Uma não aparece, e ela está na entrevista do Metrópoles; a outra não aparece, mas estava em Brasília. E essa segunda a carta precatória volta por endereço errado. Ai sabe o que acontece agora? Elas desistem das duas testemunhas” reforça o ator.
“O processo é atrasado nove meses para ouvir duas testemunhas e depois elas desistem. A quem interessa atrasar o processo nove meses se não a elas? Elas estão trabalhando diariamente para que isso caia num limbo jurídico”, cravou Marcius Melhem. O ex-diretor de humor da TV Globo afirmou ainda que o processo está repleto de “mentiras” e “incongruências”.
Denúncia
O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou ao jornal Estadão que o crime teria sido praticado “de forma continuada” contra as três denunciantes. Ainda segundo o órgão, a investigação que tinha Dani Calabresa e outras cinco mulheres como vítimas foi arquivado “em razão da prescrição punitiva dos fatos”. A defesa do ator disse que a denúncia é “confusa e inteiramente alheia aos fatos e às provas”.
Já de acordo com o colunista Guilherme Amado, do Metrópole, o documento apresentado à Justiça Federal do Rio de Janeiro aponta que o ator tinha um “modus operandi” ao assediar as funcionárias. O documento aponta que o humorista se aproveitava da imagem do chefe protetor para se aproximar das vítimas no ambiente de trabalho e estabelecer uma sensação de intimidade com todas.
Os casos pelos quais Marcius Melhem agora é réu foram o assédio cometido às atrizes Georgiana Góes e Carol Portes e contra uma jornalista, que não teve seu nome divulgado. Em nota, a defesa do humorista afirmou que “no momento oportuno, esta absurda acusação será veementemente contestada pela defesa do ex-diretor, que segue confiante na Justiça, esperando que a Magistrada não dê prosseguimento ao processo, como lhe faculta a lei”.
MN