Tania Khalill fala de projeto artístico com o marido, Jair Oliveira, dos 25 anos de relacionamento e da vida da família nos EUA

Há quase uma década morando nos EUA, Tania Khalill e o marido, Jair Oliveira, virão ao Brasil no mês que vem para uma série de apresentações do projeto “Grandes Pequeninos”, que está completando 18 anos. Ela fala sobre a iniciativa:

— Vamos fazer o novo show em Salvador, Recife e talvez São Paulo. O projeto está fazendo 18 anos e atingiu uma maturidade muito especial. Sobre trabalhar com o Jair, já passamos por vários momentos, mas fomos encontrando uma maturidade e uma compreensão dos papéis de cada um. Trabalhar junto artisticamente é um outro departamento do que a vida em família. Mas estamos num ponto de muita sintonia, nos divertimos muito.

Tania e Jair estão juntos há 25 anos. Ela conta qual é o segredo para manter uma relação saudável durante tanto tempo:

— Eu acho que é a resiliência mesmo. Com a rapidez com que temos vivido, é muito mais fácil trocar do que consertar, desistir. O casamento tem uma mecânica bem interessante com a arte. Temos que ter essa capacidade de superar o que não está legal, investir, seguir crescendo, colocando energia e brilhando. Não dá para deixar a bola cair ou se acomodar no que já está ganho. Quando vamos ficando mais velhos, temos principalmente essa questão de gostar da companhia, de gostar de fazer coisas juntos e de sermos amigo.

Os dois são pais de Isabela, de 19 anos, e de Laura, de 15. Recentemente, a primogênita saiu de casa por conta da faculdade. A atriz comenta como tem lidado com isso:

— Ela se mudou, mas, graças a Deus, é apenas uma horinha de distância. Nessas três semanas desde que ela está lá, eu já fui duas vezes. Vou para passar lá, deixar alguma coisa, dar um beijinho, almoçar. A saudade aperta. Proporcionar que os filhos voem e busquem seus caminhos é muito especial, mas nós, como latino-americanos, somos muito afetivos e não estamos preparados para a distância. Os norte-americanos chegam a certa idade, já saem e dão graças a Deus.

Ela conta que a filha também está seguindo a área artística:

— A Isabela está fazendo um double major (dupla graduação) em Negócios e Música. Ela gosta muito de cantar, já participou dos nossos shows e gravou com o Jair. A nossa caçula, a Laura, que tem 15 anos, também é uma artista muito dedicada. Ela é uma superdançarina e atriz, e quer fazer um conservatório de performing arts. Ela ensaia todo dia, compete em vários lugares e tem uma firmeza e uma resiliência muito fortes. Ela é quem está me mostrando os caminhos e me ensina muito com essa determinação.

Tania comenta como está a vida da família no país, após quase dez anos morando por lá:

— Hoje eu me sinto muito pertencente aqui, mas leva um tempo. Para mim foi mais difícil do que para os outros três da família, porque tive que me distanciar do meu trabalho presencial no Brasil. Foi mais dolorido no início, mas a proposta era estar mais junto e oferecer novas possibilidades para elas. Morar fora é quase recomeçar em todos os sentidos, é uma reformulação de meio de vida bem desafiadora.

50 anos. Ela fala como se sente nesta fase da vida:

— Eu não vou dizer que é super fácil, porque tem um lado da potência da saúde e da energia estonteante que vai diminuindo. Óbvio que eu olho as rugas, a flacidez e a diminuição da energia, e não é gostoso. Mas o ganho emocional é tão maior que eu tento me ater a ele. As suas preocupações com o mundo exterior vão diminuindo com a idade. Eu acredito que essa é a beleza do envelhecer. As preocupações ficam muito mais com o mundo interno. É gratificante ver que você não cai nas suas ciladas pessoais e nas que o mundo oferece com a mesma facilidade. Isso dá um poder mesmo. O que os outros acham pouco importa. A gratidão pela vida é tão maior do que ficar correndo atrás de conquistas.

O Globo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *